Mal lhe suportam o brilho

Peguei o livro, parado na estante há décadas e com anotações que somam mais de 30 anos, abri aleatoriamente e deparo-me com destaque feito com caneta azul. O texto é lindo, levou-me às lágrimas. Não é por acaso que está selecionado, entre outros ali assinalados na maioria das páginas.

Divido com os amigos esse “achado”: “(…) Deus, em sua pura essência, dizem os Espíritos, é qual oceano de chamas. Deus não tem forma, mas pode revestir uma para aparecer às almas elevadas. É a recompensa concedida às grandes dedicações, às existências de sacrifício e de renúncia. Há nisso uma espécie de materialização, bem diferente de tudo o que podemos imaginar. Mesmo sob esse aspecto sensível, a majestade de Deus é de tal ordem, que os Espíritos mais puros mal lhe podem suportar o brilho. Têm eles o privilégio de contemplar, sem véu, a Divindade, e declaram que a linguagem humana é paupérrima para permitir uma descrição, pálida que seja, do divino Foco. (…)”.

Um parágrafo simples, curto, repleto de reflexões. Peço ao leitor ler novamente. Aprofunde-se no parágrafo, pois há muito a ser tirado dele.

Notem:

  1. É a recompensa concedida às grandes dedicações, às existências de sacrifício e de renúncia;
  2. Os Espíritos mais puros mal lhe podem suportar o brilho;
  3. A linguagem humana é paupérrima para permitir uma descrição…

 

Fazia tempo que não folheava a obra, estava esquecida. Quantos tesouros lá estão. É o livro Cristianismo e Espiritismo, do grande Léon Denis, contemporâneo de Kardec, um dos autores clássicos da literatura espírita. A edição em português, no Brasil, pela FEB, é de 1919. O trecho que motivou essa breve apreciação está no capítulo X – A Nova Revelação. A Doutrina dos Espíritos.

O tema em questão está brilhantemente desenvolvido por Kardec em O Livro dos Espíritos, nas questões 1 a 16. A grandeza e bondade do Criador é sempre motivo de nossas especulações intelectuais e motivação variada nas diferentes crenças. Abstenho-me, todavia, de mais comentários. O trecho transcrito, por si só, já é grandioso, permitindo e estimulando mais prospecções de estudo e reflexão.

Da obra em si, traremos outras joias dos parágrafos e entrelinhas.

De qualquer forma fica, porém, o convite ao estudo da magnífica produção e Léon Denis.

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São 38 anos de uma história real, verdadeira, na seara do bem, contada por muitas pessoas.
Dois espíritos que planejaram suas vidas em parceria no plano espiritual, reencarnaram com propósitos de trabalho e cumpriram suas metas ou talvez até as superaram. 

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