Contrai Nova Dívida

As dores de toda espécie e as adversidades em geral normalmente provocam em nós uma certa indignação, em alguns casos até revoltas e incompreensões. Necessitados do exercício de resignar-se, não nos damos conta de seus benefícios. A indicação abaixo aborda a velha questão.
A revolta, a rebeldia, a inconformação só agravam as situações adversas. Cabe com perfeição aqui o capítulo V – Bem aventurados os Aflitos, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. O destaque da conhecida bem aventurança no capítulo mais longo da obra oferece rico manancial para a grande virtude da resignação, especialmente com o belo texto constante de apenas dois itens: 12 e 13 e com o título Motivos de resignação. Destaque-se que o texto é do próprio Codificador.
No texto em questão (no item 12), encontramos: “(…) quem murmura nas aflições, e não as aceita com resignação (…), quem acusa Deus de injustiça, contrai nova dívida que faz perder o benefício que se poderia retirar do sofrimento (…)”.
Mais adiante, já no item 13, afirma o Codificador – referindo-se ao comportamento de compreender a brevidade da vida material, quando se considera o ponto de vista da vida espiritual, faz a criatura humana: “(…) moderar seus desejos, a contentar-se com sua posição sem invejar a dos outros, de atenuar a impressão moral dos reveses e das decepções que experimenta; (…) ao passo que pela inveja, ciúme e ambição, tortura-se voluntariamente, e aumenta assim, as misérias e as angústias de sua curta existência.”
Nem é preciso dizer da preciosidade do capítulo, recheado dessas pérolas.
A dor, que também pode ser física, apresenta-se, todavia, mais expressivamente nas graves questões morais, que nem é preciso relacionar.
Mas para efeito didático de bom aproveitamento do ensino constante do trecho, destaquemos:
a) Quem reclama ou revolta-se e mesmo acusa a Deus, contrai nova dívida;
b) Perde-se o benefício resultante da aflição enfrentada, quando sem coragem e resignação, optando pela revolta e rebeldia;
c) Moderar os desejos, contentar-se com a própria posição sem inveja ou ciúme, atenuando as impressões que normalmente alimentamos com as decepções e dificuldades que vamos enfrentando.
Eis, pois, uma seleção para boa apreciação e profunda reflexão. Há que se pensar no agravamento com acréscimo de nova dívida; há que se considerar que enfrentar o sofrimento com coragem e resignação acresce aprimoramento moral e finalmente o desejo de moderação interior – em todas as direções – ajuda-nos expressivamente numa direção renovada.
O segredo, a grande pérola, todavia, está resumida no início do item 13, uma única frase que depois segue em outras considerações: “O homem pode abrandar ou aumentar a amargura das suas provas pela maneira que encara a vida terrestre (…)”. Eis o detalhe!
Esse “encarar” nos leva aos apegos de toda espécie (inclusive os mentais e psicológicos) e seus conhecidos desdobramentos ou ao viver confiante, sabendo de antemão que não somos daqui, aqui estamos temporariamente e que, espíritos imortais, glorioso destino nos aguarda – de intensa felicidade e produtivo trabalho em favor do bem geral – e que nos cabe alcançar pelo esforço continuado de melhora moral, para merecer esses novos estágios.
A resignação não é mera virtude apenas a ser conquistada. É também passaporte moral que nos capacita para planos maiores. Ampliamos nossa visão através de sua vivência…
Cada pérola vamos encontrando… É o Evangelho e suas lindas lições.

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São 38 anos de uma história real, verdadeira, na seara do bem, contada por muitas pessoas.
Dois espíritos que planejaram suas vidas em parceria no plano espiritual, reencarnaram com propósitos de trabalho e cumpriram suas metas ou talvez até as superaram. 

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