O AUXÍLIO NA CRUZ
Uma das passagens mais tristes durante o Evangelho de nosso Mestre Jesus certamente são os momentos de seu julgamento, flagelo, o trajeto para o local da crucificação e a própria crucificação. Todo esse sofrimento é conhecido como Via Crucis, justamente por representar o caminho de sofrimento, martírio e provação percorrido pelo Cristo.
Mesmo nosso Divino Amigo sendo o Justo dos justos, o Ser mais perfeito que já pisou neste nosso planeta, aquele que cumpria de maneira única as Leis Divinas, passou por esses tristes momentos. Mas sabemos que cada segundo da vida de Jesus foi um ensinamento para toda a humanidade, ensinamentos eternos que atravessariam os milênios.
Neste mês de setembro, em que reforçamos o combate ao suicídio e a valorização da vida, essa passagem do Cristo tem muito a nos ensinar…
Muitas vezes somos presos e julgados em determinadas situações, assim como Jesus, por motivos que desconhecemos — mas nunca sem propósito. Muitas vezes seremos flagelados pelas aflições do mundo e também pelas aflições mentais que, assim como ao Divino Amigo, irão nos machucar e dilacerar não apenas o corpo, mas principalmente o espírito.
Muitas vezes, mesmo sangrando e carregando inexplicáveis dores da alma, ainda teremos que pegar nossa própria cruz e seguir pelos caminhos da vida.
E, mesmo já feridos pelos flagelos do mundo, mesmo carregando nossas cruzes, ainda seremos criticados, humilhados, muitas vezes mal compreendidos e até apedrejados, assim como Jesus foi em seu caminho para o Calvário.
E, assim como Jesus caiu durante o caminho com sua cruz, nós também iremos cair…
Mas, nesse trajeto para o Calvário, em uma das três quedas tradicionalmente relatadas na Via Crucis, um simples homem é chamado a auxiliar o Cristo a carregar a cruz.
E, mais uma vez, Jesus não nos deixa uma passagem sem ensinamentos profundos.
Ali estava o Ser mais forte moralmente que já havia encarnado entre nós, sendo auxiliado por um simples homem, imperfeito como nós, amedrontado como nós e, inicialmente, até constrangido a ajudar, pois aquele homem foi obrigado pelos soldados a auxiliar Jesus a carregar a cruz.
Esse simples homem hoje é conhecido no mundo todo como Simão, o Cirineu.
Essa passagem nos faz refletir sob dois pontos de vista.
O primeiro é para aqueles que estão sofrendo, sejam por sofrimentos físicos, pelos transtornos mentais — como crises de ansiedade, depressão, entre outros — ou ainda pelos sofrimentos da alma, cuja profundidade e dor somente quem passa consegue compreender.
Para esses, nosso Mestre Jesus nos ensina que não podemos permitir que o orgulho de parecermos fortes e autossuficientes nos impeça de procurar a devida ajuda.
O auxílio pode vir de diferentes formas: o auxílio religioso, que pode nos ajudar em nossa conexão espiritual; o auxílio material, muitas vezes fornecido pelo governo ou por associações religiosas; e também o auxílio médico, tão necessário no tratamento dos transtornos mentais.
Lembremos, meus irmãos: o Ser mais íntegro que já caminhou entre nós, Jesus, aceitou ajuda para carregar a cruz.
O segundo ponto que gostaria que refletíssemos é: devemos nos colocar na posição de Simão, o Cirineu.
Quantas vezes poderemos auxiliar a carregar a cruz de nosso irmão?
Quantas vezes poderemos ajudar, não necessariamente a tirar a dor do próximo, mas a amenizá-la?
Quantas vezes poderemos, mesmo constrangidos pelo amor de Cristo, auxiliar o nosso próprio Mestre Jesus, ajudando o próximo em suas dores físicas, mas principalmente em suas dores morais?
Sei que muitas vezes possuímos nossas próprias cruzes a serem carregadas. Mas lembremos: ao auxiliar o próximo com sua cruz, a nossa própria pode se tornar mais leve.
E, às vezes, quando percebemos o peso da cruz de nosso próximo, passamos a compreender que aquilo que julgávamos ser uma cruz tão pesada para nós talvez seja menor do que imaginávamos.
Mas não nos esqueçamos do ensinamento final do Cristo: a mesma cruz que o fez sofrer durante o caminho foi a mesma cruz que o elevou aos olhos do Pai.
Sigamos o mesmo exemplo.
As mesmas cruzes que carregamos, as dificuldades, as dores e as aflições, quando enfrentadas e superadas com persistência, esforço, resignação e fé, podem construir em nós virtudes que elevarão nosso espírito em direção ao nosso Pai.
Sigamos como Simão, o Cirineu, auxiliando aqueles que estão à nossa volta.
E lembremos:
Ao carregarmos nossa cruz, sempre seremos auxiliados.
Nunca, nunca estamos sozinhos!
