O texto que venho a relatar é apenas um esquálido esboço sobre alguns pontos elementares concernentes às reuniões mediúnicas:
“Meus olhos já viram diferentes mesas constituídas para o intercâmbio mediúnico. Os grupos, formados por pessoas dos mais variados tipos, continham toda sorte de voluntários, com suas características mediúnicas, com sua identidade única e com sua determinação própria.
É válido salientar que todas as pessoas contribuíram de alguma sorte para alguma realização no âmbito do atendimento espiritual, mas também temos que tirar como lição os erros cometidos para que possamos corrigi-los em nossa própria atuação.
Iniciei meu voluntariado nesta atividade quando as reuniões eram abertas ao público, o salão vivia lotado de pessoas, algumas curiosas, outras ansiosas por identificar nas comunicações algum traço familiar ou de consolação, outros iam por diversão como se aquilo fosse um “teatro”, outros com fé fervorosa e vontade de contribuir, ou seja, toda sorte de pessoas e objetivos.
O tempo foi passando e as reuniões foram se modificando até se tornarem fechadas ao público, o que é altamente recomendável e compreensível. O ponto positivo desta nova postura da casa espírita é que as reuniões se tornaram mais seguras, a interferência dos assistentes foi extinta e houve mais disciplina e melhor atendimento aos irmãos comunicantes. O ponto negativo é que os salões do centro espírita foram se esvaziando, pois apenas um grupo pequeno procurava as reuniões de evangelização. Os demais naturalmente se afastaram ao não encontrar mais nas reuniões os intercâmbios mediúnicos, muita vez visto apenas como entretenimento.
O ponto que eu gostaria de chegar é o esclarecimento. É necessário compreender o que é uma reunião mediúnica, qual o objetivo e como deve-se comportar neste tipo de atividade da casa espírita. Não é somente uma mediunidade de características mais ostensivas que determinam se o voluntário é um bom médium ou não. É o seu esforço em superar suas más tendências, próprias de todo ser humano, sua disciplina, seu amor, sua dedicação ao trabalho efetuado nas reuniões e seu constante estudo no campo doutrinário. A casa espírita, por sua vez, deve proporcionar reuniões de estudo para que os trabalhadores do setor mediúnico possam se aperfeiçoar e melhor compreender todas as questões que envolvem esta importante atividade. Os médiuns mais experientes devem ajudar os novos a se adaptarem às ocorrências naturais decorrentes da mediunidade, como lidar com diferentes situações e mudanças de comportamento, sensações e também com os efeitos que ela promove nos campos da percepção visual, intuitiva, auditiva, premonitória, física, dentre outras.
Porém, tudo isso, sem os itens que eu irei destacar abaixo, se constitui uma construção incompleta para que o voluntário desta atividade possa se tornar um bom trabalhador:
a- Humildade: se constitui o maior vínculo de empatia entre o trabalhador encarnado com os voluntários espirituais da casa espírita, sem contar que cria um laço de grande simpatia e segurança entre o espírito comunicante e o médium.
b- Não melindrar: melindre é o maior fator de dissolução dos grupos mediúnicos. A falta de tolerância e capacidade de conviver em grupo e respeitar as diferenças cria um ambiente ácido e inadequado para desenvolvimento das atividades. É necessário colocar o trabalho a ser realizado acima de qualquer rusga que possa ocorrer. A indulgência deve ser praticada entre os participantes das reuniões de intercâmbio mediúnico e assistência espiritual.
c- Amor ao próximo: é o ponto chave. Sem amar ao outro, indistintamente, não há como exercer esta tarefa tão importante. Amor é a chave de tudo em nossa vida e é o combustível que alimenta todo intercâmbio entre o plano físico e espiritual. É o amálgama que une o benfeitor com o necessitado. A própria atitude de não exercer o papel de juiz, julgando as atitudes confidenciadas nas comunicações, é um sinal de respeito e amor ao próximo.
d- Disciplina comportamental: talvez seja o ponto mais difícil de se alcançar, afinal esta é a luta diária que travamos ininterruptamente em nosso mundo íntimo, tentando demover nossas más tendências, substituindo-as pelas boas inclinações.
e- Pensamentos disciplinados: é importante salientar a necessidade de se ter pensamentos de nível equilibrado para que nossa vida também seja equilibrada. Muitos pensam erroneamente que os pensamentos devem ser elevados somente no momento em que se adentra ao centro espírita, mas na realidade o nosso pensamento deve fluir em alto nível o tempo todo. Este é um grande exercício para que possamos realmente domar nossas más tendências, sufocando-a no nascedouro, que é a nossa criação mental, mapa das futuras ocorrências que se materializarão em nossa jornada neste mundo.
f- Consciência da atividade: compreender que na reunião mediúnica, o médium é apenas um voluntário necessário para se facilitar o acesso a determinados espíritos, para que o plano espiritual possa atendê-los, lembrando que tal atendimento também pode ocorrer sem o concurso dos encarnados. Na realidade é uma atividade que mais nos ajuda, do que na verdade ajudamos. Objetivo maior e quase exclusivo: socorrer aos nossos irmãos necessitados.
Existe, logicamente, outros pontos que podem ser divisados no âmbito desta atividade, porém, para não estender muito neste texto, está apontado apenas os que eu acho mais determinantes para que uma reunião se desenvolva de uma maneira mais eficiente e segura. Convém lembrar que a retaguarda espiritual que deveremos ter nesta atividade deriva da real intenção que possuímos, sendo que os trabalhadores espirituais da casa somente se destinarão a trabalhar conosco quando demonstrarmos maturidade, determinação, disciplina e amor à esta atividade. Não contendo o grupo o alinhamento necessário, é aconselhável não iniciar este tipo de atividade por causa do total despreparo dos voluntários e o risco envolvido em se aventurar num mundo onde estaremos praticamente cegos, surdos e mudos.”
