“De mim para comigo, sempre supus, contrariamente à educação recebida, que todas as criaturas são irmãs, filhas de uma origem comum, sem conseguir atinar com as linhas divisórias entre aqueles que possuem muitos haveres e muitos títulos e os que nada possuem neste mundo além do coração, no qual costumo localizar os valores de cada um nesta vida.”
Há Dois Mil Anos (Série Romances de Emmanuel)
Em geral, a educação recebida na Terra nos leva a considerar linhas divisórias nas relações sociais.
No trabalho, nos bancos escolares ou em encontros sociais, o homem sem espiritualidade acostumou-se a avaliar o próximo pelos cargos públicos, pelas posses materiais efêmeras ou pelas demonstrações ilusórias de felicidade nas redes sociais, sem considerar a alma, o princípio da reencarnação, as leis de sintonia e os valores presentes no coração de cada ser encarnado.
Semelhante atitude pode embaraçar o progresso do espírito.
No entanto, a criatura humana que experimenta o Evangelho inicia um processo de introspecção e questionamento das convicções passageiras do mundo, desvendando novos horizontes que se opõem aos comportamentos da sociedade neste limiar da transição.
O aprendiz atento compreende que o espírito imortal ocupa a roupagem terrena apenas de forma passageira; sabe que Deus criou a Lei de Justiça, Amor e Caridade — conceitos inseparáveis da vida eterna — para nos unir na fraternidade, pois todos viemos da origem comum de Seu amor eterno e rumamos ao mesmo objetivo: a felicidade.
É necessário perscrutar o coração das criaturas antes de valorizar as potestades do mundo, e considerar que, se hoje ocupamos determinado cargo ou posição mundana, amanhã poderemos ser chamados aos mantos humildes da pobreza e ao ostracismo social, com vistas à ascensão do espírito.
Tratar a todos com fraternidade, no sentimento verdadeiro da empatia que deve vigorar entre irmãos, significa reconhecer os valores do coração acima das ilusórias linhas da relação humana, conforme nos ensinou Jesus: “Todos vós sois irmãos” (Mateus 23:8).
