A PORTA ESTREITA
Conversando em um grupo de WhatsApp esta semana — sim, existem coisas boas na internet, basta escolhermos o que queremos consumir —, um amigo trouxe uma reflexão pessoal sobre como é difícil seguir o bom caminho e resistir às nossas más tendências.
Gostaria de poder falar para ele e para todos nós que isso seria uma tarefa fácil, que bastaria seguir o que os preceitos morais exigem. Mas sabemos que não é fácil assim.
Como disse uma vez nosso querido Raul Teixeira: “Onde há ferro, há ferrugem.” E nada mais natural do que nós, espíritos imperfeitos que somos, termos nossas ferrugens, nossas más tendências adquiridas através de séculos, milênios de mau uso do nosso livre-arbítrio.
Mas esta dificuldade não é individual. Sabendo disso, nosso Mestre Jesus, ainda no aclamado Monte, logo após nos apresentar as Bem-aventuranças, nos entrega um roteiro de vida a ser seguido. Como consta no Evangelho de Mateus, capítulo 7, versículos 13 e 14, Ele nos diz:
\> “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à destruição, e muitos são os que entram por ela. Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que encontram!”
Como não poderia ser diferente, as palavras do Mestre são palavras de vida eterna e parecem ser direcionadas aos nossos dias atuais, em que o materialismo, os desejos da carne, os desejos dos olhos e a arrogância do orgulho e do egoísmo nos fazem cada vez mais identificar a porta larga e o caminho espaçoso que a grande maioria — e muitas vezes nós mesmos — seguimos, caminho este que nos leva à destruição.
Mas um detalhe muito interessante, que muitas vezes nos passa despercebido na fala de Jesus, é que a porta estreita e o caminho apertado são os que conduzem à Vida.
E aqui entra o grande contraste entre a vida que o mundo oferece e a verdadeira Vida que Jesus nos propõe.
Percebemos que, aos olhos do mundo, a verdadeira vida é uma vida de ostentação, orgulho, prazeres e vaidade. Mas essa vida de ilusão pode até parecer uma vida feliz e alegre superficialmente; porém, claramente nos afasta de nossa verdadeira essência espiritual e de nossos deveres como filhos de Deus.
Por isso, Jesus nos orienta a nos esforçarmos para entrar pela porta estreita e seguir pelo caminho apertado, mesmo sendo difícil para nós.
Mas temos uma boa notícia!
No fim da mensagem, Jesus diz que poucos são os que encontram a porta estreita. E, se já temos essa necessidade de transformação, significa que, de alguma forma, já encontramos a porta estreita.
Mas sabemos que apenas encontrar a porta estreita é somente o primeiro passo. Cabe a nós, dia após dia, esforçarmo-nos para passar pela porta e seguir pelo caminho apertado.
E é aí que está o nosso poder de escolha, da vontade e da coragem que nos cabe.
Nessa tarefa, Emmanuel nos dá um conselho significativo:
“A disciplina precede a espontaneidade.”
Se ainda não temos essa conduta moral por espontaneidade, que tenhamos a disciplina de nos mantermos no caminho.
E lembremos de Paulo quando diz:
“Quando sou fraco, então é que sou forte.”
Pois são nestes momentos em que temos a oportunidade de colocar nossa conduta moral à prova. E, por sermos imperfeitos e frágeis, muitas vezes nos sentirmos fracos é justamente quando, através dos ensinamentos de Jesus e com o seu auxílio, por meio das preces e orações, Ele nos fortalece e nos permite seguir no caminho.
Lembremos, irmãos, que a Vida que Jesus nos oferece é uma Vida plena, de abundância — não de bens ilusórios e passageiros, mas da abundância do Espírito, aquilo que realmente irá preencher o vazio que, muitas vezes, ocupa nosso íntimo.
Sigamos pela Porta Estreita, pois se reconhece o verdadeiro cristão pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas más tendências.
E que o caminho fique mais apertado, não porque desejamos dificultar a caminhada, mas porque possamos preencher esse caminho com mais pessoas dispostas a percorrê-lo.
Pois, no fim do caminho, encontraremos o próprio Cristo a nos esperar.
Pois Ele é a Porta.
Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.
