Vá e não Peques Mais

Vai e não peques mais!

Hoje, para nossas reflexões, gostaria de abordar um ponto de vista diferente daqueles que sempre são apresentados ao se referir a esta passagem.

Gostaria de refletir sobre o que considero uma das nossas maiores dádivas, mas, simultaneamente, um dos nossos maiores motivos de queda: nosso livre-arbítrio.

Tanto Jesus quanto a Doutrina dos Espíritos nos deixam claro que sempre teremos o direito de escolha, mesmo em qualquer situação, seja ela econômica, social e, principalmente, moral. Como diz um filósofo, “somos fadados (condenados) à liberdade”.

E isso pode parecer muito bom. Como disse, temos uma das maiores dádivas: o livre-arbítrio, o poder de escolha, a possibilidade de fazer o que quisermos. Mas, infelizmente, quando usado de maneira equivocada, nosso livre-arbítrio e nossas escolhas são responsáveis por nossas dores íntimas, físicas e, principalmente, pelas dores morais.

Esta frase do nosso Divino Amigo, que se encontra nos Evangelhos, quando o Mestre aplicava alguma cura, ou mesmo quando disse à mulher adúltera, traz-nos uma grande orientação, mas está longe de ser uma ordem que não possa ser transgredida. Pelo contrário: a escolha sempre será nossa.

Para ilustrar o poder do nosso livre-arbítrio, gostaria de trazer a passagem do livro Primícias do Reino, de Amélia Rodrigues, psicografado por Divaldo Franco, no capítulo 7 — O Paralítico de Cafarnaum.

Nesta passagem, após um dia de muito trabalho na casa de Pedro, atendendo aflitos sem fim — doentes, cegos, paralíticos, leprosos, doentes do corpo e da alma —, extenuado, Jesus foi retirado por Simão Pedro para a beira-mar, onde costumava meditar.

Já presentes as primeiras estrelas no céu, Pedro percebe que Jesus chorava. Sem saber os reais motivos, Pedro pergunta se chorava de alegria, pelas diversas curas e aparentes vitórias daquele dia.

Mas, contrariando a expectativa de Pedro, Jesus responde que chorava de tristeza.

O Divino Amigo explica que, naquele mesmo momento, o paralítico que havia sido descido pelo telhado pelos amigos para ser curado por Jesus estava novamente entregue aos velhos padrões de comportamento:

\> “— Simão, neste momento, enquanto consideras o Reino de Deus pelo que viste, Natanael, com alegria infantil, comenta o acontecimento entre amigos embriagados e mulheres infelizes.

\>

\> Outros que recobraram o ânimo ou recuperaram a voz, entre exclamações de contentamento, precipitam-se nos despenhadeiros de insensatez, acarretando novos desequilíbrios, desta vez irreversíveis.”

O que me chama a atenção nesta passagem é que o próprio Natanael, quando confrontado com Jesus e quando seus pecados foram perdoados, pensa consigo mesmo:

\> “Quantas vezes eu pensara em seguir uma vida limpa e decente se voltasse a movimentar-me, a acionar as pernas, não saberia dizê-lo.”

E aqui fica uma importante reflexão para nós:

O que fazemos depois do nosso encontro com Jesus?

No fim das contas, será que somos Natanael?

Será que somos aqueles que sempre quiseram ser curados e sempre desejaram ter uma nova vida, caso tivessem uma oportunidade, mas que, quando finalmente nos encontramos reabilitados física e moralmente, entregamo-nos novamente aos mesmos padrões morais nos quais sempre nos comprazemos?

Não podemos mais alegar ignorância ou desconhecimento.

Depois do encontro com Jesus, lembremo-nos de sua orientação:

“Vai e não peques mais, para que não te suceda coisa pior.”

Jesus nos deixa claro, em sua mensagem, que não se deve remendar pano novo em trapo velho, nem depositar vinho novo em vasilhas velhas. É necessário que mudemos nossas atitudes.

Precisamos lembrar que a mensagem do Evangelho, mais do que uma promessa para o futuro, é uma realidade para o presente, para o agora.

Ela deve penetrar em nosso íntimo e nos dignificar, reestruturando-nos. Sem aforismos, como dizia o apóstolo Paulo: que o homem velho morra para que o novo homem nasça!

Lembremos sempre: somos livres para escolher, mas seremos escravos das consequências de nossas escolhas.

Que possamos escolher Jesus e o seu Evangelho nas peculiaridades do dia a dia.

E lembremos de Paulo, quando dizia:

“Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.”

Tendo o livre-arbítrio, podemos fazer muitas coisas. Mas, como seguidores do Cristo, nem tudo nos convém.

Que possamos, a cada escolha, edificar em nós mesmos os ensinamentos de Jesus.

Que, depois de nosso encontro com o Cristo, possamos verdadeiramente ouvir e viver a sua orientação:

“Vai e não peques mais.”

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São 38 anos de uma história real, verdadeira, na seara do bem, contada por muitas pessoas.
Dois espíritos que planejaram suas vidas em parceria no plano espiritual, reencarnaram com propósitos de trabalho e cumpriram suas metas ou talvez até as superaram. 

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