A evolução do pensamento humano não ocorre em saltos desordenados, mas em um processo gradual de maturação. Assim como uma criança necessita de orientações simples antes de compreender conceitos complexos, a humanidade recebeu a verdade divina de forma fragmentada, conforme sua capacidade de absorção e entendimento. Conforme o primeiro capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, esse processo se divide em três marcos fundamentais.
A primeira revelação teve como cenário o Monte Sinai e como protagonista o profeta Moisés. Naquele período, a humanidade possuía um senso moral rudimentar e primitivo, dominado por paixões materiais e pela força bruta. Era necessária uma lei disciplinadora, imposta pelo temor, para organizar a sociedade recém liberta do Egito e que ainda possuia muitos vícios.
Moisés trouxe o Decálogo (escrita direta cunhada diretamente por Jesus), que constitui o resumo da lei divina e imutável. No entanto, ele também estabeleceu leis civis e disciplinares adequadas ao caráter do povo daquela época, os quais podem ser encontrados no terceiro livro bíblico (Levítico). Enquanto as leis civis eram temporárias, a lei moral — o respeito a Deus e ao próximo — serviu como o alicerce sólido sobre o qual toda a espiritualidade ocidental seria construída. Moisés revelou a Lei de Justiça.
Catorze séculos depois, Jesus Cristo veio não para destruir a lei de Moisés, mas para dar-lhe cumprimento e vivência. Ele retirou o caráter excessivamente rigoroso e exterior da lei antiga para imprimir nela a essência do sentimento e da consciência. Jesus apresentou Deus não mais como um juiz severo e vingativo, mas como o Pai amoroso e misericordioso. O Cristo sintetizou toda a lei e os profetas no mandamento maior: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Ele introduziu a ideia da vida futura, a reencarnação e, por fim, a ideia da caridade como o único caminho para a salvação. Se Moisés preparou o caminho com a disciplina, Jesus o iluminou com o Amor. Todavia, muitas de suas lições foram transmitidas por parábolas, pois os homens de então ainda não podiam suportar a claridade total da verdade espiritual. Sabendo que suas palavras se perderiam no tempo, ele promete a vinda de um Consolador que relembraria todas as coisas que Ele havia dito.
É nesse contexto de promessas que o Espiritismo surge no século XIX como o “Consolador Prometido” por Jesus, atendendo aos apelos humanos do esclarecimento. Ele não possui um autor humano único, mas resulta do ensino coletivo e universal dos Espíritos. A terceira revelação não vem anular o Evangelho, mas explicá-lo, desenvolvê-lo e aplicá-lo de forma lógica à ciência e à razão.
O papel do Espiritismo é retirar o véu das parábolas, revelando a natureza do mundo espiritual, a reencarnação, a pluralidade dos mundos habitados e a comunicação entre vivos e mortos. Ele oferece uma base racional para a fé, combatendo o materialismo através da prova experimental da imortalidade da alma. Se Moisés foi a justiça e Jesus foi o amor, o Espiritismo é a Verdade que liberta e o consolo que esclarece e da esperanças.
As três revelações formam uma unidade pedagógica divina, um socorro dos ceus a todos os que procuram as consolações.
Moisés abriu o caminho, Jesus traçou a rota e o Espiritismo removeu as pedras e explicou os destinos do homem.
